19 novembro 2008

Hora de dizer adeus

O momento mais difícil em Londres foi a hora da despedida. Chegar sozinha numa terra, à primeira vista, tão diferente não é fácil. Mas o tempo transformou aquela na minha cidade, aqueles nos meus amigos e aquela na minha vida. E aquelas ruas que me pareceram tão estranhas no início, já eram minhas velhas conhecidas. E era bom sair do MEU trabalho e chegar na MINHA casa e ir para o MEU quarto.

E a minha mãe dizia “mas a tua casa é aqui, o teu lugar é aqui”. Eu já não tinha mais tanta certeza disso e, na verdade, ainda não tenho.

Foi complicado ter que deixar para trás uma vida e uma cidade que eu tinha me acostumado e gostado tanto.

05 novembro 2008

Resultado de muito esforço

Os cansativos vários meses de trabalho praticamente escravo em Londres valeram a pena:











28 outubro 2008

Em gênero, número e grau

"Quem está cansado de Londres, está cansado da vida"

frase do escritor Samuel Johnson, criada num momento de sensatez.

23 outubro 2008

Guia básico

Turismo:
- Trafalgar Square
- Piccadilly Circus

- Camden Town
- London Eye - de noite é mais bonita
- Big ben
- St. Paul Church
- Tower Bridge
- Buckingham Palace - todas as manhãs tem a troca da guarda
- London Bridge

- Portobello Market

Parques:
- Regents Park
- Primrose Hill Park - tem uma vista linda de Londres
- Hyde Park
- Green Park

Museus e Galerias:
- British Museum

- Science Museum
- Natural History Museum
- Tate Modern - é o museu de arte moderna
- Madam Tussauds - museu de cera
- National Gallery -tem obras de Botticelli, Michelangelo, Goya, Van Gogh, Da Vinci, Cézanne...
- The Victoria & Albert Museum
- Imperial War Museum - museu da guerra

Compras:
- Topshop - roupas um pouco caras
- H&M
- New Look
- Camden Market
- Primark - preço de banana
- Esprit
- Uniqlo
- Sports Direct
- Lillywhites - muita coisa legal e um preço bem acessível

Supermercado:
- Sainsbury's - a marca basics é boa e muito barata! Ela tem a embalagem braca e é do próprio supermercado
- Tesco
- Iceland - quando precisar comprar coisas em grande quantidade

Agências de emprego:
- Blue Arrow - 9 Fenchurch Place – London - EC3M 4AJ
- BCC

10 outubro 2008

Quem inventou a distância...

...não sabia o que era a saudade.



mas eu ainda prefiro a tristeza de ter deixado um sonho para trás, do que a frustração de nunca tê-lo vivido.

06 outubro 2008

iPhone em Londres

Ao ler o último post do blog Consumo (In) Consciente sobre o lançamento do iPhone no Brasil, lembrei que eu estava em Londres quando o aparelho multi-funções foi lançado por lá. Estava eu, caminhando na Oxford Street - lotadíssima como sempre - quando passei pela frente da loja da Apple e não pude deixar de notar a fila simplesmente gigante. A última criatura da fila, bem distante do meu campo de visão, perdia rapidamente seu posto e, logo, transformava-se em penúltima, para, um segundo depois, ser a antepenúltima. Perguntei para o gerente de uma CoffeeShop qual era o motivo daquele grande número de pessoas ao redor da loja da Apple e fui fuzilada por um olhar do tipo "tu não sabe??????".

Na hora, constatei o que eu já imaginava : meu interesse por tecnologia não chega perto da metade daquela fila.

02 outubro 2008

Hambúrguer com Cappuccino

Se havia uma coisa que eu queria muito, era conseguir um trabalho fixo logo que eu chegasse em Londres. Eu sei, eu sei, a maioria das pessoas normais quer ter pelo menos umas duas semanas para dar uma de turista na Terra da Rainha e começar a pensar em trabalho depois de já ter conhecido o Parlamento e assistido à Troca da Guarda. Mas a minha ansiedade, ai a minha ansiedade. Eu sabia que eu não conseguiria fazer um passeio turístico tranquilamente enquanto o xarope sininho do “desemprego num país estrangeiro” continuasse a ecoar na minha cabeça.

Graças a minha adorável ansiedade, consegui meu primeiro trabalho no segundo dia em Londres no Burger King.

No Burger King eu fiz:
- hambúrguer;
- batata frita;
- sorvete;
- varri e esfreguei o chão;
- tirei o lixo;
- lavei badejas;
- limpei mesas;
- lavei louça;
- atendi no caixa.

No Burger King eu comi e bebi:
- hambúrguer;
- batata frita (só uma vez na semana);
- sorvete;
- coca-cola (a gente só podia beber refrigerante);
- chá (no inverno).

No Burger King eu me f... porque:
- levei muitos xingões dos gerentes;
- atendi um bando de cliente estúpido e mal-educado;
- engordei 4 kg;
- trabalhei mais de 10 horas por dia com 30 minutos de intervalo.


Depois de 5 meses working hard no Burger King, pedi demissão e comecei a trabalhar no Coffee Republic, um café muito simpático que parecia oferecer o trabalho tranqüilo que eu estava procurando. Realmente o ambiente de correria e pressão não fazia parte daquele coffee shop. O trabalho no café poderia ter sido perfeito não fosse por um detalhe: meu despertador tocava às 4h30min da manhã. Sim, eu começava às 6h, então tinha que acordar às 4h30min para sair de casa às 5h, para pegar o ônibus às 5h15min, para chegar no café às 5h55min.

No Coffee Republic eu fiz:
- cafés (claro);
- sanduíches;
- limpei mesas;
- lavei louça;
- atendi no caixa.

No Coffee Republic eu comi e bebi:
- sanduíche de frango, presunto e queijo;
- sanduíche de atum;
- pizza;
- cappuccino;
- chocolate quente.

No Coffee Republic eu me f... porque:
- tive que acordar às 4h30min da manhã quase todos os dias.




16 setembro 2008

A Batata Inglesa


Cheguei em Londres certa de que os 10 anos de estudo de inglês não me deixariam na mão. Acreditava que eu conseguiria me comunicar tranqüilamente. Mas para a minha triste surpresa, ao trocar as primeiras palavras em inglês com um cidadão britânico, não só não entendi a metade do que ele disse, como percebi que a criatura teve que fazer um esforço relativamente grande para me compreender. Frustração total. Me senti uma ignorante completa e minha confiança no inglês foi parar no meu pé. A decepção comigo mesma só foi diminuir quando eu me dei conta de que o problema não era o inglês, mas o conhecido (e lindo) sotaque britânico. Depois de algumas observações, cheguei a conclusões que me ajudaram a incorporar o british accent. Eis algumas:

1) em muitas palavras a letra “r” não é pronunciada. Por exemplo: a palavra “perfect” eles pronunciam “pãfect”, a palavra “four” eles pronunciam “fó”;

2) o “er” no final das palavras é pronunciado com som de “a”. Por exemplo: a palavra “better” é pronunciada “béta”, a palavra “forever” é pronunciada “foréva”;

3) ao contrário do que acontece no inglês americano, a letra “a” é pronunciada com som de “a” mesmo e não com som de “e”. Por exemplo: a palavra “class” se pronuncia “clás”, a palavra “family” se pronuncia “fãmili”.

... ou, para quem quer facilitar, fale como se você estivesse com uma batata na boca. O efeito é bem parecido.


02 setembro 2008

Mind The Gap

Andar no famoso metrô londrino era uma das coisas que eu mais esperava, queria, mas tinha medo de fazer na cidade britânica. Não sei, todos os meus amigos que já haviam morado em Londres falavam e falavam do tal metrô e eu, por mais que me esforçasse, não conseguia me imaginar andando sozinha naquele meio de transporte tão moderno. Sei lá, em Porto Alegre não tem metrô e eu nunca havia andado em um. E toda vez que eu conversava com alguém que comentava como era fácil andar no metrô, eu não conseguia acreditar e tinha certeza, quase que absoluta, de que eu ia demorar muito tempo para poder entender como aquele sistema enigmático funcionava.

Cheguei na Terra da Rainha na tarde do dia 03 de agosto de 2007 e fui de táxi (é claro) até a casa número 101 da queridíssima Duckett Road. Logo que cheguei, e após as devidas apresentações do pessoal que morava na casa, liguei para a Simone (uma guria que na verdade eu nem conhecia mas que uma professora minha tinha dito que ela podia me ajudar em Londres). Enfim, a tal Simone queria me encontrar para me dar umas dicas da cidade e de trabalho. Eu não achei nada ruim, afinal eu precisava mesmo de dicas de alguém que morava em Londres há 2 anos. Foi aí que ela sugeriu de nos encontrarmos na saída da estação de Lancaster Gate. Fiquei super feliz que iria me encontrar com ela, mas também um pouco apreensiva porque se nós iriamos nos encontrar na saída do metrô, isso queria dizer que eu teria que andar de metrô. Tudo bem, pensei eu, afinal eu estava em Londres e sabia que pegar o metrô se transformaria em um hábito corriqueiro para mim, mas até lá teria que enfrentar a primeira vez de andar sozinha.

Depois das informações que o pessoal da casa me deu sobre como me achar dentro da estação, saí em direção à estação de Manor House um pouco preocupada mas muito confiante de que eu não era assim tão retardada e conseguiria fazer o que todo mundo faz na cidade britânica. Cheguei na estação e me concentrei em seguir o fluxo e seguir as placas. Fiquei muito impressionada com a organização do metrô. Tudo muito bonito e com informações detalhadas. Mapas e placas eram o que não faltava. Percebi então que se perder no metrô era algo bastante difícil e me senti um idiota por ter algum dia acreditado que eu não seria capaz de me virar naquele espaço subterrâneo que agora parecia tão simples.

Esperei o metrô chegar, enquanto lia no chão Mind The Gap. Sentei e vi o metrô passar por cada uma das estações. Sempre que o metrô parava em alguma estação éramos informados de onde estávamos e qual seria a próxima parada. Finalmente cheguei na minha estação, desci e mantive o plano de seguir o fluxo. Cheguei na rua, vi o sol e me senti orgulhosa por ter conseguido andar no metrô de Londres sozinha. Já estava me achando a expert em metrôs, toda confiante.

Estava tudo bem até que eu tive que pegar o metrô para voltar para a casa. Quando cheguei na estação de Manor House me deparei com 4 saídas. Oh my God!!! Eu tinha todas as coordenadas de como fazer para ir e voltar de metrô, mas ninguém havia me dito qual das 4 saídas era a certa para chegar em casa. Momentos de pânico. Tentei me lembrar por onde havia entrado, mas não conseguia. Pedi informação para o guardinha, mas a única palavra que consegui entender foi bridge. Oh God, e agora? Decidi arriscar, escolhi uma saída e fui. Andei, andei, andei, nada me parecia familiar, mas continuei andado. Até que eu vi o McDonald’s!!! Ainda bem, sabia que agora eu estava perto de casa. Caminhei mais um pouco, cheguei na rua e entre em casa sã, salva e craque em metrô.